Certos políticos e empresários constroem fortalezas para se protegerem do povo

Na idade média, os feudais construíam fortalezas para se protegerem, proteger o rei, sua família, seus bens, etc. Hoje temos um novo sistema, o capitalismo, que veio substituir o feudalismo, antiga organização social e política da Europa, que era também conhecida como “A Idade das Trevas”. O capitalismo teve uma melhor aceitação global, passando a ser o sistema dominante da maioria dos países hoje em dia.

Mas se repararmos bem, certas peculiaridades do sistema feudal foram simplesmente transferidas para o capitalismo. No sistema feudal existiam os nobres, que eram os coletadores de impostos, existia o clero, que não pagava impostos e ainda recebia uma fatia de dez por cento em troca de proteção espiritual e tinham os servos (que também podemos chamar de escravos), que pagavam todas as taxas e tributos (os impostos de hoje), tais como: corvéia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha (metade da produção), banalidades (taxas pagas pela utilização do moinho e forno do senhor feudal).

Hoje vivemos na doce ilusão de que os tempos são outros e de que a escravidão foi extinta. Se Tim Ferriss estiver certo, como ele demonstra em seu livro Trabalhe 4 horas por semana, então nós estamos trabalhando 5 dias nas “terras do nosso senhor feudal” e não 3 ou 4 como era comum no outro tipo sistema escravo. No atual, além de continuarmos pagando altas taxas por tudo, ainda acabamos sendo convencidos, via publicidade e muito lobby, a comprar aquilo que não queremos nem necessitamos e o que é pior, pagamos caro para nos alimentar com uma comida de péssima qualidade, que nos irá fazer mal, que irá debilitar nosso corpo causando-nos inúmeras enfermidades, para depois pagarmos por uma promessa de possível cura.

No sistema feudal, quando os servos começaram a se darem conta das enormes injustiças na qual eles eram submetidos ( isso quando eles tinham a possibilidade de reunir e discutir seus problemas, já que na maioria das vezes essas reuniões aconteciam na surdina, na calada da noite), o povo começou a se juntar e pressionar os seus senhores feudais. Se a pressão fosse muito forte e feita de forma coordenada, a nobreza se via encurralada, tentando passar a falsa impressão de que estaria protegida por detrás das muralhas da fortaleza. E era só uma questão de meses, para que esta nobreza, que estava presa dentro do seu próprio castelo, começasse a sofrer com escassez de comida, água e outros mantimentos.

No sistema atual, a fortaleza, a muralha que protege os “nossos nobres”, são as leis criadas por eles. Criam-se leis aqui, fazem emendas de outras leis acolá. Tudo como uma forma de protegerem seus bens pessoais, de suas companhias e de suas famílias. Mas igual que no sistema feudal, nenhum nobre (empresário, banqueiro, político, polícia) do sistema atual conseguiria sobreviver por muito tempo com uma pressão forte e coordenada dos servos (trabalhadores consumidores e pagadores de impostos). A fortaleza desses nobres acabariam por ruir, pois não é baseada em leis justas.

A internet vem sendo um aliado muito importante para os servos atuais, pois ela favorece a troca de ideias e de informações com outras pessoas ao redor do mundo. Hoje, em questão de poucas horas, uma informação chega a ter mais de um milhão de visualizadores. Recentemente novos movimentos começaram a surgir com a ajuda da internet e em questão de dias foi possível reunir milhões de pessoas nas ruas do Brasil. Os nobres atuais sentiram o impacto desses movimentos, podendo perceber a força de um povo unido. E para dispersar esse povo unido, tiveram que usar a sua arma mais letal: a mídia, a pena que fere e mata sem pena e sem dó. Porque eles sabem que somente a força física não é capaz de controlar esse povo. Não controlou no passado e não vai controlar agora. Mas a mídia pode controlar e conduzir multidões, igual que uma manada de bois é conduzida para o matadouro.

O povo irá novamente se libertar de mais um sistema que foi criado para conduzi-los cegamente pela vida. Mas primeiramente esse povo deverá identificar quem são os nobres. Antes era muito mais fácil de identificá-los, hoje parece ser mais difícil. Eles, os nobres, tiveram que criar modernos disfarces para não serem descobertos. É um erro, por exemplo, pensar em divisões dentro da política. Isso seria como pensar em uma disputa entre a Skol e a Brahma. Não devemos pensar, enquanto falamos de política, em direita ou esquerda, em partidos ou siglas. Uma pessoa, por melhor intenção que ela tenha antes de entrar para a política, uma vez dentro desse sistema político que não foi foi criado por ela e sim por um grupo de “pessoas nobres”, acabará por ter que obedecer as regras do jogo ou sair dele de um jeito ou de outro. Se uma pessoa resolve entrar para lutar contra o atual sistema político, pode ser que passe todo o seu mandato apenas brigando com os “opositores”. E no final acabará terminando o mandato como sendo um mau político, que de tanto brigar acabou nada fazendo para o povo que acredita que o elegeu.

Igual que no sistema feudal, é o povo quem alimenta, dá de beber, veste e arca com toda a extravagância desses nobres. Eles não são capazes de dar um passo sem o nosso consentimento. Na verdade os sistemas por eles criados só funcionam com o nosso apoio e permissão. Mas ilusoriamente pensamos ser o contrário. Se o povo parar de financiá-los e promovê-los, o sistema deles param também e eles simplesmente deixam de existir, não havendo mais lugar para se esconderem. E é por isso que as revoltas populares têm se intensificado ao longo destes últimos anos. Como disse, estamos nos comunicando mais, trocando mais informações e também aprendendo mais. Aos poucos os povos vão identificando quem são estes nobres, quais são os canais usados por eles para intermediarem com estes povos. E assim esse povo passará a não escutar mais as mídias controladas pelos nobres e nem a ouvir os seus legítimos representantes: que são os políticos, que supostamente eram para representar os interesses do povo. Assim, finalmente estamos aprendendo que não é o povo quem escolhe e sim é o sistema que diz quem entra e quem sai. Os povos devem ter o seu próprio sistema: criado por eles, comandado por eles e voltado para eles.

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