Desarmamento seria uma solução para a redução da criminalidade no Brasil

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Não sei se me sobrará espaço para comentar sobre o episódio da moto Hornet que ia sendo roubada. Digo isso porque muita coisa foi dita por ai e o Leonardo Sakamoto em sua coluna (que recomendo que leiam), falou também muito bem. Mas vou tentar então expressar “um pouco” a minha opinião sobre o assunto.

Eu acredito que existe uma lei universal (e invisível a olho nu) que diz que “gentileza gera gentileza e que violência gera violência”. Esta lei está escrita no “código da vida” e Gandhi se apropriou da parte desta lei que trata da gentileza e se muniu de muito Amor, para derrotar um exército armado. E venceu! Sem nenhuma arma ele foi capaz de vencer uma guerra armada e evitar uma enorme chacina com o derramamento de muito sangue.

Mas o que tem a ver leis invisíveis, Gandhi, gentileza e o caso do assalto a mão armada?

Pois bem, se apenas um homem foi capaz de vencer um forte exército armado, talvez se tivéssemos mais exemplos como o de Gandhi, pudéssemos extinguir toda a violência que existente e não apenas no Brasil. Por outro lado, se incentivarmos a violência, apoiá-la e compartilhá-la em nossas redes sociais (físicas e virtuais), estaremos gerando mais violência. Podemos ser geradores de paz ou de violência. Nunca de ambas as coisas ao mesmo tempo.

Também acredito, igual que Sakamoto, que o policial agiu certo em sua defesa. E como sou um defensor da paz, jamais poderia defender a violência, seja ela praticada por quem for, quer pela polícia ou pelo criminoso. Mas quero trazer aqui uma pequena reflexão. Sei que o exemplo que vou dar não é muito propício para este caso. Mas mesmo assim gostaria de tentar. Imaginemos que três amigos resolvessem fazer um vídeo para postar no YouTube. Eles gravam as cenas através de uma câmera acoplada em um capacete. Eles são três jovens de classe media alta querendo fazer um pequeno documentário, uma espécie de alerta aos jovens sobre roubos de motos, assaltos a mão armada, a ganância, drogas, etc.

Numa das filmagens, no momento em que um dos atores (novamente, uso esta expressão apenas para tentar facilitar o entendimento, sei que não eram anjos nem atores as pessoas da cena real) faz uma abordagem para roubar uma moto, aparece um policial armado e atira no nosso ator fictício. O policial depois se dá conta que a arma usada na cena era de brinquedo e que tudo não passava de uma produção independente para o YouTube. Se essa história fictícia fosse verdade, real, a nossa opinião sobre o episódio seria outra, não acham? Provavelmente estaríamos trucidando o policial, porque ele atirou em atores que estavam representando um papel.

Voltemos agora à realidade. Talvez alguns ainda não conseguiram entender onde quero chegar. O que quero esclarecer é que não compete a ninguém querer fazer justiça pelas próprias mãos. Mas sei que não foi o caso deste policial, que agiu em própria defesa, mas me refiro aos casos semelhantes que acontecerem e que acontecem iguais ao de Amarildo e se quisermos poderemos pensar também nos casos dos desaparecidos políticos. A justiça deve ser feita por quem tem competência para isso. E mesmo assim, as vezes encontramos falhas. Na cabeça de quem concorda com execuções sumárias por parte da polícia, também está concordando com execuções sumárias praticadas por não policiais. Por exemplo, se um policial é bandido, corrupto e que tem envolvimento no tráfico de drogas, então o cidadão de bem que estivesse armado poderia chegar e simplesmente “apagar o policial do mapa”.

Como a violência gera mais violência, iríamos iniciar uma chacina sangrenta sem fim pelas ruas do país. Cada um julgando pelo seu próprio arbítrio quem deveria morrer ou continuar vivo. Não ia ser apenas bandidos matando policiais, ou policiais matando bandidos. Teríamos também professores matando políticos, políticos matando professores ou políticos ordenando a policiais que matassem professores e motoristas de ônibus.

Gestos de amor e de gentileza ao próximo, pelo contrário, tem um efeito bem diferente da violência. Se faço uma gentileza a você e você me retribui com outro gesto de gentileza, no final ambos saímos ganhando. Diferentemente, aquele que sofre algum tipo de violência e que acaba se vingando (ou seus amigos e familiares vingando a sua morte), além de sofrerem a dor de um lado, acaba ocasionando a dor do outro lado. Sempre me chamou a atenção o fato de no Japão os policiais não portarem armas. Nos países onde a posse e o porte de armas são proibidos, a violência cai drasticamente. Como aconteceu com a Austrália. Acredito que está na hora de revermos o conceito de desarmar a população e também os policiais. Não podemos apenas desarmar uns e deixar que os outros continuem a praticar crimes contra os cidadãos.

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6 opiniões sobre “Desarmamento seria uma solução para a redução da criminalidade no Brasil

  1. Amigo, quisera eu, viver neste mundo de ilusão onde um bandido vem até você, e você, trata-o com educação e o mesmo deixe de rouba-lo por isso.
    Duvido que nos próximos 500 anos consigamos essa proeza. Na Austrália e no Japao, a educação e as condições de vida, saúde, moradia etc são de primeiro mundo. O respeito pelo povo precalece. Aqui vivemos no Brasil, país de merda e de corruptos, com um povo burro e alienado. Controlado pelos políticos através de pão e circo.
    Retirar as armas da polícia é o ultimo estágio da evolução da sociedade. E infelizmente não atingiremos este nível tão sonhado percebido em outros lugares do mundo.

    • Olá Roberto, obrigado por seu comentário.

      Realmente, se vivêssemos num mundo onde um bandido viesse nos assaltar e tratando-o bem ele deixasse este intuito de lado e fosse embora, ai sim estaríamos vivendo num mundo de ilusão. Mas, sinceramente, eu não queria viver num mundo assim. Queria viver num mundo onde ninguém quisesse assaltar ninguém, por saber as consequências negativas que isso traz.

      Você diz: “Duvido que nos próximos 500 anos consigamos essa proeza”. Realmente Roberto, você e a grande maioria dos brasileiros pensam de igual maneira. Muitas pessoas não acreditam na mudança e por não acreditarem, não movem em direção a ela. Se no lugar de pensar negativamente, a grande maioria dos brasileiros pensassem e acreditassem na mudança, com certeza o Brasil seria outro.

      Não é a localidade geográfica que faz seus cidadãos. São os cidadãos que determinam que tipo de país eles querem para eles. É por isso que no Japão e Austrália, as condições de vida por lá são diferentes da daqui. Eles acreditam, querem, confiam e correm atrás.

      Veja o que você disse: “Retirar as armas da polícia é o ultimo estágio da evolução da sociedade. E infelizmente não atingiremos este nível tão sonhado percebido em outros lugares do mundo.” Infelizmente tenho que discordar de você Roberto. A sociedade brasileira também evoluirá, no dia em que seus cidadãos forem mais educados, tanto intelectualmente quanto moralmente, essa mudança que tantos almejamos, chegará.

      Mas no momento o que temos? o que nos é oferecido no dia a dia? O que vemos Roberto, é uma onda de violência que passa nas nossas TVs. Todas elas, umas mais que outras. Isso precisa mudar e sinais dessa mudança já foram dados. Junho do ano passado foi uma pequena amostra do que poderá vir daqui para frente.

      Já pensou se nas nossas TVs passassem a todo instante os exemplos de brasileiros que lutam e vencem? De brasileiros que sacrificam suas próprias vidas em favor de outras pessoas? A nossa “escola” seria outra. Mas estamos sendo escolarizados para a violência, para assaltos a mão armada, para roubos de bancos com dinamites. Eu não quero este tipo de escola para mim nem para meus amigos, por isso que os recomendo a nunca assistirem “jornalismo” da Globo e nem lerem “reportagens” da Veja. Fazendo assim daremos um grande passo para a mudança que desejamos ver ocorrendo no Brasil.

      Boa sorte Roberto e volte sempre.

  2. Meu amigo, Gandhi só se saiu bem porque na outra ponta estava um país com um mínimo de ética e honra. Fosse um Stalin, um Fidel, Hitler ou um chefe de boca de fumo davam-lhe um tiro na cabeça e pronto, acabou-se a resistência pacífica.
    O país (a entender os cidadãos… ) já foi parcialmente desarmado e a criminalidade diminuiu? Somente no imaginário de alguns…

    • Eduardo Sarang, você disse: “Gandhi só se saiu bem porque na outra ponta estava um país com um mínimo de ética e honra.” Você realmente acredita nisso? Você acha que em se tratando de defender seus próprios interesses, os ingleses agem com ética e honra? Não vou nem entrar aqui em questões históricas, mas apenas relembrá-lo do passado recente: a guerra do Iraque.

      Nos 10 anos após a invasão do Iraque, por tropas americanas e britânicas, você sabe quantos civis eles mataram? Foram 116.903 os que tinham morrido até 2011. Contra apenas 4.487 soldados americanos e 179 soldados britânicos. Consegue ver o massacre provocado pelo lado Anglo-americano? Consegue ver agora a grandeza de Gandhi ao poupar a vida de milhares de inocentes indiano e ao mesmo tempo sair vitorioso?

      Talvez você tenha razão ao dizer que o nosso país foi parcialmente desarmado. Aliás não é justo desarmar a população enquanto marginais armados (e aqui me refiro também aos marginais infiltrados dentro da própria polícia) que continuam matando inocentes sem dó nem piedade. Não pode haver desarmamento parcial. O Japão sabe muito bem disso e poderíamos tirar lições do exemplo deles.

      E para informações adicionais, recomendo a você os excelentes vídeos de George Galloway, como este aqui:

      Um forte abraço e obrigado por comentar.

      Fonte: http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/middleeast/iraq/9932214/Iraq-war-10-years-on-at-least-116000-civilians-killed.html

  3. Olá, parece que o governo, dar moral só para os bandidos,porque desarma o cidadão e acha que vai diminuir o crime,estatuto do desarmamento,é uma palhaçada, faz a conta quando essa lei foi sancionada pra cá o crime aumentou más ou menos uns mil por cento.

  4. Não adianta desarmar a população sem dar educação, saúde, qualificação e oportunidade de emprego para todos. O resultado é que o cidadão de bem entregou suas armas mas os bandidos não – pelo contrário, ficou vantajoso ser bandido, pois o risco de tomar um tiro é pequeno (nem a polícia pode atirar no bandido sem que o bandido tente atirar antes no policial). Nisso observou-se um gigantesco crescimento da criminalidade, dos assaltos a mão armada e do crime organizado. As pessoas tem medo de sair na rua, de esperar um ônibus, de parar no semáforo vermelho etc, pois não têm como se defender de um eventual assalto (que já se tornou algo corriqueiro na vida das pessoas). Oportunidade de emprego se consegue incentivando o empreendedorismo através da redução da carga tributária. Muitas empresas gostariam de ter mais funcionários e não podem, pois o imposto de renda e outras dezenas de impostos abocanham uma porcentagem altíssima do capital da empresa, e aí a empresa é obrigada a contratar menos pessoas para manter preços baixos, ou empregar mais gente e cobrar mais caro por seus serviços e produtos, o que é ruim num tempo de crise em que o povo tem pouco dinheiro para comprar.

    Quanto ao desarmamento de policiais, isso é o cúmulo. Impossível de concordar, mesmo numa sociedade hipotética onde a violência seja reduzida a zero, assaltos zero, sequestros zero etc, ainda haverá ocorrências de psicopatas e pessoas com transtornos mentais graves capazes de matar inocentes, e aí só uma polícia armada poderá contê-las a tempo de evitar uma tragédia, ou ainda, um cidadão armado e devidamente treinado.

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