21/12/2012: O fim, de mais um mito

Somos cercados por mitos. Mesmo com todo o avanço científico e tecnológico de hoje, eles ainda persistem em nosso dia a dia. É muito difícil fugirmos deles, porque geralmente estão associados com nossos medos e muitos desses mitos ou crenças, nos foram ensinados desde pequenos. Medo da morte, medo de perder, medo de ficar sozinho, medo de fracassar, etc. Já há outros mitos que vão sendo criados com o passar dos dias. Os mitos vão se adaptando aos nossos dias. Alguns desses mitos chegam a ganhar uma espécie de roupagem científica. E é precisamente de um desses mitos novos, que irá tratar este texto. Portanto, quero que você saiba que, se há algum medo (injustificado) que te aflige, pode verificar que, provavelmente, haverá algum mito envolvido. E por trás de um mito, pode ser que haja algum interesse por parte de alguém ou de alguma instituição.

Mas nem todos os mitos ou superstições são ruins. No passado, muitos desses mitos ajudaram a que famílias ou sociedades, pudessem ter uma vida melhor ou, inclusive, que pudessem continuar existindo. Por exemplo, lembro-me que quando morava no Japão eu dividia um apato (apartamento em japonês) com dois casais de peruanos. Quando cozinhávamos, os peruanos tinham em suas crenças, o hábito de molhar os palitos de fósforo, depois de utilizá-los e antes de colocá-los na lixeira. Eles exigiam essa mesma atitude de mim (e também de meu amigo Gianny que chegou a conviver com eles também). O motivo da crença era que, ao molhar os palitos, eles estariam enviando as almas desses palitos para o “céu” e com isso não ficariam “vagando” na terra. Confesso que, muitas vezes, esse tipo de comportamento me incomodava, primeiro porque não fui criado com nenhum tipo de crença religiosa e segundo, porque era estudante do espiritualismo e tinha a convicção de que palitos de fósforos não tinham almas.

Mesmos não compartilhando das crenças, que tinham os peruanos que conviveram comigo, estou convencido que essa crença deles, em particular, era uma crença salutar, benéfica, que, ainda que não explicasse de uma forma científica, que o hábito de molhar os palitos de fósforos antes de colocá-los na lixeira, reduziria o risco de incêndios, explicava através do mito, da crença, que é preferível molhar os palitos de fósforos depois de utilizá-los. Principalmente em se tratando de países como o Japão, onde grande parte das casas são de madeira, principalmente nas cidades do interior. E certa vez, eu, ou o meu amigo Gianny, um de nós quase colocou fogo na lixeira da casa que morávamos, justamente por não compartilharmos dessa crença. Da mesma forma, os próprios japoneses tem uma crença, uma superstição muito boa, que é o hábito de tirar os sapatos antes de entrar em casa. A tradição japonesa ensina que ao fazer isso, os espíritos ruins são deixados do lado de fora, evitando assim uma espécie de contaminação espiritual do lar (encontrei esse blog que também conta essa estória: http://blog.suri-emu.co.jp/?p=250).

E o que tudo isso tem haver com o fim do mundo em 2012 ou com as profecias maias? Bem, primeiramente eu quis mostrar que mesmo não sendo religioso e nem sendo um possuidor de crenças ou superstições, admito que certas crenças podem nos ajudar. Foi sempre assim no passado, é assim no presente e provavelmente continuará sendo assim num futuro próximo. Segundo, e talvez o mais importante, é que a grande maioria das crenças, não nos ajudam em nada e sim ao contrário, nos atrapalha e muito. Entre elas estão as crenças apocalípticas ou crenças no fim do mundo. Se você, que estiver lendo esse texto, for um religioso, provavelmente discordará do meu modo de pensar. Se for esse o caso, talvez você queira discutir a ideia comigo, apresentando algum benefício para a sociedade, que valide essas teorias conspiratórias ou religiosas, dos fins dos tempos. Veja que mesmo não acreditando em algumas crenças, fui capaz de admiti-las como úteis, benéficas, de proveito para o ser humano.

Gostaria de refrisar mais uma vez: não acredito que essas teorias de fim de mundo possam trazer algo de útil para o ser humano. Inclusive há outras teorias do calendário maia, que não se referem ao fim do mundo, propriamente falando. O problema disso tudo está, e isso custa-nos admitir, nas religiões. Inclusive existem espíritas religiosos que acreditam nessas teorias de aniquilação planetária. Como já disse antes, a maioria dessas teorias apocalípticas trabalham com o fator medo das pessoas. Quanto mais medo, melhor! Pois assim você dá mais atenção no assunto, se envolve mais e procura, de certa forma, tentar querer aliviar todo o sofrimento que há de vir no futuro próximo. Com isso, muitos dos criadores ou difusores dessas teorias, acabam ganhando certo prestígio (ainda que de forma passageira, em alguns casos) ou rios de dinheiro, graças aos nossos medos.

Da próxima vez que alguém vir tentar te vender alguma ideia baseada em seus medos, procure tentar raciocinar e ver se existe algum fundamento. Veja se, mesmo que você queira acatar tal ideia, se há algum beneficio para você, sua família ou a comunidade onde você vive. Se não conseguir encontrar nenhum benefício (material, sentimental ou mesmo espiritual), então é porque provavelmente não há porque você se preocupar. E viver sem preocupações injustificadas, por si só, já é um grande beneficio. Portanto, viva melhor e não dê ouvidos a esse monte de teorias conspiratórias e teorias apocalípticas que existem por ai, sejam elas as velhas teorias ou as novas teorias que vão sendo inventadas quase que diariamente. Porque, provavelmente, alguém pode estar tirando proveito de tudo isso. E um viver sem medos infundados, é o que mais lhe desejo.

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