Teremos que mudar nossos paradigmas para libertarmos da corrida de ratos

Este artigo é continuação de um artigo anterior.

Toda empresa deveria ter bons trabalhadores em algumas das seguintes áreas: contabilidade, economia, administração, recursos humanos (entre outras). As grandes empresas tentam encontrar os melhores profissionais nestas áreas, pagando-lhes os melhores salários do mercado de trabalho. As empresas de médio porte, por sua vez, contratam mediante suas possibilidades, normalmente de acordo com o nível de salário que podem pagar. Mas a grande maioria, que são formadas de pequenos comerciantes, de trabalhadores individuais, não conseguem pagar os salários e encargos para terem “esses bons profissionais” trabalhando em suas micro empresas – ou em suas casas, já que uma grande parte dos trabalhadores independentes trabalham em suas casas. Nem tampouco os consumidores finais conseguem pagar para ter os melhores conselhos destes profissionais. O que acaba gerando um grande problema para todos.

Vamos tomar por exemplo uma empresa que contratou um bom economista. Este possivelmente irá trabalhar em conjunto, se relacionando com os outros profissionais da empresa para executar o trabalho de uma melhor forma. Ele deverá conversar com o contador para saber os números da empresa, deverá conversar com os administradores para conhecer as formas que a empresa vem sendo administrada, também conversará com o profissional de recursos humanos sobre o capital humano empregado dentro da empresa. O resultado que se espera de um economista, é o de tentar enxugar os gastos da empresa o máximo possível, como uma forma de aumentar o lucro. E normalmente valorizamos mais as empresas que demonstram obter um maior lucro no final do balancete, certo? Ao menos é o que comumente vemos ao observar alguns investidores de bolsas de valores.

Mas e quanto a você e a mim? Não queremos também economizar, para chegarmos ao fim do mês com um pouco mais de dinheiro em nosso bolso ou em nossa conta bancária? Só que as empresas e os governos querem que consumamos mais, para fazer girar a economia de mercados, mas nós também queremos aprender a economizar, a ter mais lucro, a ter sobra de capital, queremos aplicar melhor os nossos recursos e também investir melhor o que temos de excedente. Queremos aprender a fazer justamente o que as grandes empresas e os grandes bancos fazem. E você há de pensar que não há nenhum problema nisso, certo? Mas a verdade é que há sim um problema, ou melhor dizendo, um problema gravíssimo, pelo menos no sistema de consumo no qual vivemos atualmente.

O problema reside justamente numa palavra bem comum nos dias de hoje, mas de difícil entendimento para a grande maioria da sociedade: sustentabilidade. Assim como muitas empresas mascaram seus produtos e as atividades de suas empresas com palavras tais como sustentável, produto ecológico, empresa ecologicamente correta, posso dizer que o mesmo ocorre com a maioria de nós consumidores, ou seja, usamos estas mesmas palavras apenas porque está na moda, é “cool, it’s very nice“. Vou dar um exemplo de sustentabilidade. As florestas nativas com suas cadeias de flora e fauna são bons exemplos de sustentabilidade. Agora o sistema capitalista que temos hoje em dia vai justamente pelo caminho contrário da sustentabilidade, pois advoga o consumo exagerado de bens e serviços que gera, quase sempre, um grande desperdício e pouco ou quase nenhum benefício ou retribuição.

Para nos libertamos desta prisão, como é a corrida de ratos, precisamos mudar os nossos paradigmas, mudar a nossa forma de pensar e principalmente a nossa forma de atuar. E isso geralmente ocorre através de duas vias, que considero as mais importantes, que é a via pela educação e a via pelo sofrimento, esta causada ao constatarmos a crueldade contra a natureza, contra os animais e contra as minorias desfavorecidas. Mas é claro que nem todos ainda tem o devido esclarecimento ou consciência ecológica e é por isso que nem todos sofrem ou sentem remorso algum ao dizimar grandes áreas florestais, ao matar milhares de animais e ao destruir os sistemas que antes eram auto sustentáveis. Por isso que a educação (ambiental, ecológica, etc) tem um papel importante neste quesito e sem a educação nada conseguiremos fazer de concreto ou que tenha um real aproveitamento.

Vamos tentar aprender um pouco com a natureza?

Se tomarmos como exemplo uma árvore de algum sistema sustentável, notaremos que ela retira da terra somente os nutrientes necessário para o seu desenvolvimento e sobrevivência. Mas que por sua vez, o retorno, ou seja o que ela retribui de volta, é muito maior do que os nutrientes que ela havia retirado. Por exemplo, a copa desta árvore criará uma sombra que irá favorecer o crescimento de outras plantas menores e também servirá de abrigo e moradia para alguns animais e insetos. Produzirá frutos e flores, que por sua vez servirão de alimentos, também, para alguns animais e insetos. As folhagens que caem viram composto orgânico, que é devolvido ao solo. Portanto uma árvore oferece mais à natureza do que retira dela. É o que chamo de vida em abundância, que é dar mais do que se recebe. Esta é a mágica da vida.

Agora vamos para um outro tipo de exemplo, parecido com o das árvores e também extremamente importante.

Assim como são as árvores, são também as mães. E não é por acaso que costumamos chamar a natureza de “mãe natureza”. As mães também são exemplos dignos do que chamo de vida em abundância, porque elas, iguais que as árvores, dão mais do que recebem. As mães também tem mais de uma função e delas se beneficiam não apenas os filhos. Portanto, acabe-se com as mães e não teremos mais vida. Acabe-se com as árvores e poderemos dizer o mesmo.

E que lição poderemos tirar dos exemplos das árvores e das mães e como aplicá-la em nosso cotidiano?

Primeiro teremos que observar que estamos indo por caminhos contrários da natureza. Seja dizimando florestas, seja privando às mulheres do direito de exercerem plenamente seu papel de mães. A principal lição que podemos tirar da natureza e que já foi dito no post anterior, é a de que só se justifica ter mais dinheiro para poder dar mais dinheiro. Ou seja, tudo o que cada um de nós produzirmos a mais, deveria ser distribuído para melhorar o nosso entorno, o nosso bairro, a nossa comunidade, a nossa cidade, o nosso país e o nosso planeta. Com todos agindo assim, estaremos então criando uma vida em abundância onde cada um retiraria um pouco para sua subsistência e retribuiria com muito para todos. Deveremos tentar aprender logo essa lição e começarmos a pô-la em prática já. Caso contrário iremos pagar um preço bastante elevado pela nossa ignorância.

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